Participação no Programa ‘Correio de Futuro’ da Rede Bahia, 8ª turma

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Produto da 8ª turma do programa Correio de Futuro.

Dor na juventude

Lorena Souza e Tânia Araújo
Jovens contam como deram continuidade à vida após perda de amigos 

Cinco anos. Esse foi o intervalo entre duas perdas na vida da advogada Raísa Rios, 25 anos. Suas amigas Emanuelle Gomes, 23, e Evelyn Costa, 18, morreram em acidentes de trânsito. Quando soube de Emanuelle, a mais recente, em outubro de 2013, lembrou que teria que passar de novo pela dor da ausência repentina.

Raísa recebeu a notícia de Thiana Souza, 26, também advogada e amiga de Emanuelle. “Cheguei no escritório e abri o site do CORREIO. Aí vi a notícia com o nome deles. Minha pressão baixou na hora”, recorda Thiana. Emanuelle morreu com o irmão na avenida Oceânica, em Ondina. A moto em que os irmãos estavam foi atingida pelo Kia Sorento dirigido pela médica Kátia Vargas Leal, 45 anos.

Raisa, Emanuelle e Thiana (Foto: Arquivo pessoal)
Raísa e Emanuelle ficaram amigas apenas sete meses após a morte de Evelyn. “Elas se pareciam muito. Meus pais até ficaram surpresos, era como se fosse uma cópia. Acho que foi por isso que me aproximei muito dela”, conta.
Depois do acidente, o grupo de amigas se encontrou na casa de Amanda Gomes, 28, prima de Emanuelle. No dia seguinte,  foram ao cemitério do Campo Santo sem acreditar no que havia acontecido. “Um dos piores dias da minha vida, o mais difícil. Eu a vi naquele caixão e, pra mim não era ela”, diz Thiana emocionada, 20 meses após a tragédia.
Para o psicólogo Aroldo Escudeiro, especialista em luto e autor do livro Terapia do Luto, a perda súbita de pessoas próximas provoca, além do sofrimento  pela ausência, um sentimento de medo.
Segundo ele, a perda de um amigo para os jovens é mais difícil de ser assimilada. “O jovem se identifica com os iguais. Ele tem uma representação mental de si mesmo como herói – de que isso nunca vai acontecer –  mas, se aquela pessoa pode morrer, ele também pode. O choque é maior”.
Emanuelle, Raísa e Thiana pertenciam ao mesmo grupo de amigas, eram sete ao todo. Viajavam juntas, iam ao cinema, em festas e algumas delas ainda faziam o mesmo curso na faculdade. “Foi muito difícil por conta da situação como aconteceu, foi trágico. Seria a última pessoa com que a gente imaginava que ia acontecer esse tipo de coisa, ela sempre foi de animar todo mundo”, diz Raísa.
Para Thiana, o choque ainda foi maior.  “Pra mim foi um baque. Naquele final de semana, ela ia lá pra casa, íamos ao cinema. Um pouco antes de ela morrer, estava muito distante da gente. Estava ficando mais em casa. Parecia que sabia o que ia acontecer”, diz Thiana. “Ainda me pergunto se isso foi um sinal”, acrescenta.
De acordo com a psicóloga Lilian Britto, os amigos desempenham papéis dentro do círculo de amizade – no caso de Emanuelle, ela era a agregadora, segundo depoimento do grupo. “Quando um amigo desaparece, deixa muitos papéis. Às vezes a pessoa não consegue retomar a vida porque aquele papel desempenhado fica vazio”.
As amigas seguem a rotina sem a alegria e os conselhos de Emanuelle. “Muita coisa mudou depois da morte dela. No início, o grupo de amigas teve muita dificuldade de lidar com isso. Não conseguíamos nos encontrar, ficava sempre a sensação de que estava faltando alguma coisa. Hoje a gente se encontra tranquilamente e ainda fala sobre ela com alegria”, relata Raísa.
Irmãs de alma
Por dez anos, as universitárias Laila Melo, 22, e Larissa Gonçalves, 19, compartilharam bons momentos e apoiaram uma a outra em outros delicados. As duas se definiam como irmãs de alma e haviam decidido tatuar a mensagem. “Dois meses antes de ela morrer, veio com essa ideia. Escolhemos que seria em tcheco (por causa da sonoridade) e o modelo da fonte”, conta Laila. Não deu tempo. Laila entrou no estúdio de tatuagem sozinha, dois meses após a morte de Larissa.

Laila e a Tattoo feita em homenagem à Larissa (Foto: Tânia Araújo)

Laila e a tatuagem feita em homenagem à Larissa (Foto: Tânia Araújo)
O corpo da universitária Larissa foi encontrado na escada do prédio em que morava, em Pernambués. Ela foi asfixiada pelo vizinho.  O acusado, que era usuário de drogas, não tinha contato com a jovem e nem motivação para matá-la. Os homicídios são a principal causa de morte de jovens brasileiros entre 15 e 24 anos, de acordo com o Datasus, órgão do Ministério da Saúde.
Amiga de infância, Laila foi a terceira pessoa a chegar a cena do crime. “Eu nunca vou falar que perdi uma amiga, eu não perdi minha amiga, o que eu perdi foi o contato físico com ela”. As duas se conheceram na ilha de Boipeba, onde Larissa morava e Laila passava as férias.
Foi por conta dos estudos que Larissa também saiu da ilha e veio pra Salvador. “Falei muito com ela que aqui era melhor pros estudos, e assim ela conseguiu autorização dos pais e veio pra cá, no começo morou na casa da tia e por fim lá em Pernambués”.
“Levar o corpo dela para Boipeba foi um dos momentos mais tristes, chegar na ilha, descer no cais com o caixão dela, e a ilha inteira esperando. Foi muito triste. No começo eu me senti muito só, não sou do tipo que tem muitas amizades. Tive que passar 15 dias na casa do meu namorado para aos poucos voltar a dormir na minha, já que Lari passava muito tempo aqui em casa. Até meu pai veio de Boipeba para ficar comigo”, contou.
No período em que ficou na casa do namorado, Laila sonhou com a amiga todos os dias. “Era o mesmo sonho, ela não tinha morrido, que foi um engano. E foi assim ao longo do primeiro ano, mas a sensação era muito boa, porque era a sensação de reencontro. E eu contava para todo mundo que ela não morreu, que ela ainda estava aqui”.
Segundo Escudeiro, a pessoa que perdeu o amigo precisa procurar ajuda quando o luto começa a mudar a sua rotina, anteriormente a perda. “Os exemplos mais comuns são insônia, comer muito ou pouco e começar a faltar aula”.
Mateus Góes, 19, estudante, perdeu o amigo de colégio, Felipe Menezes, 17 anos, em junho de 2014, e a lembrança que tem do amigo é um número para o qual ele nunca mais vai ligar. “Não consigo apagar o número dele do meu celular, já me perguntaram isso, mas eu não consigo. Seria como cortar o último laço.”

Mateus Goes e o contato do amigo que não consegue excluir (Foto: Tânia Araújo)

Mateus Góes e o contato do amigo que não consegue excluir (Foto: Tânia Araújo)
De acordo com Mateus, Felipe havia ido a uma festa, feito uso de maconha e bebidas alcoólicas, passou mal e saiu do local sem avisar para onde iria. Após ficar desaparecido por três dias, o corpo do adolescente foi encontrado embaixo de um viaduto na avenida Garibaldi.
Ele conta que recebeu a notícia da morte de Felipe através de uma amiga, no entanto, precisou ir ao Facebook do amigo para constatar a morte pelos comentários que outras pessoas haviam deixado. “Ele era tipo meu irmãozinho mais novo, queria ser engenheiro”.
Mateus, que não gosta de ir a enterros, preferiu guardar a lembrança de quando ia com Felipe à escola ao invés do amigo dentro do caixão. “Se eu pudesse, teria conversado mais com ele, pedido para não usar mais essas coisas”, lamenta após que lembrar que passou uma fase afastado do amigo.
Os jovens cultivaram uma amizade durante três anos. “A gente acabou ficando amigo por conta de uma brincadeira. Alguém sempre escrevia o nome de mais um aluno na lista de chamada. Um dia, esse “aluno fantasma” foi chamado por engano pela professora, rimos e daí começamos a conversar”. O mais difícil de perder um amigo jovem é conviver com o espaço que fica. É como diz o rapper Emicida, em Canção pros meus amigos mortos: “o espaço daquela piada que ele sempre fazia… Não sei se fiquei mais forte ou morri também”.
AS FASES DO LUTO 
“A perda mal enfrentada pode levar a sintomas patológicos, como a depressão. Que é um sintoma comum ao luto complicado. Como o luto é um processo, ele precisa ter um fim.”, diz Aroldo.
Entorpecimento: Perceber que a pessoa morreu pode durar horas ou até uma semana. A parte mais difícil. Alguns não aceitam e entram em um estágio de negação.
Anseio e busca pelo ente perdido: Ficar procurando quem se foi pelos cantos da casa. Sente a presença. Escuta a sua voz. Necessidade de reaver a pessoa perdida.
Falar sobre a morte: Reestruturar a parte emocional. Imprescindível É essencial falar sobre a perda, mostrar que a pessoa continua “viva” dentro dos seus pensamentos
Reorganização: É necessário continuar a vida de onde ela parou, retomar as amizades e procurar outras atividades.
A DOR VIROU SAUDADE 
Segundo a psicóloga Lilian Britto, a religião pode ajudar neste momento, servir como apoio. “Às vezes a religião aparece para explicar porque aquilo aconteceu. Sendo a doutrina originada pela família ou apenas do próprio jovem”. Foi assim que Laila superou a saudade da amiga. “Eu já tinha uma visão de espiritismo dede muito cedo, quando morava em Boipeba. A religião foi crucial pra mim quando tudo aconteceu”.
Thiana, que também se apoiou no espiritismo, deu uma outra saída para driblar a dor se mudando para Aracaju. “Na semana seguinte a morte dela recebi uma proposta de emprego lá. Eu precisava sair daquilo tudo, não conseguia ir aos lugares. A mudança veio muito a calhar, me afastou daquela realidade”, desabafou.
Outras pessoas procuram ajuda e superam com o apoio do ciclo social, como aconteceu com Raísa e Mateus. “Eu conversei muito com uma amiga minha e conversar com ela foi bom pra mim”, disse Mateus. “Depois de um ano a dor cessou mais, depois desse tempo a gente começa a aceitar. A missão dela foi cumprida de alguma forma”, diz Raísa.
“A coisa mais importante é entrar em contato com a perda. Na medida que a pessoa começa a vivenciar, ela começa a colocar para fora a sua emoção. A falta de viver essa emoção é que pode complicar o processo.”, esclareceu Aroldo Escudeiro.

Intimidade exposta

Lorena Souza e Tânia Araújo
Como a vida de garotas pode mudar após terem privacidade divulgada na internet
Ficar sem ir à faculdade, escola, ter sempre a sensação de perseguição e julgamento. É assim que vive a maioria das meninas que têm a sua intimidade exposta nas redes sociais. A divulgação de fotos ou filmagens por qualquer rede de interação social por meio da internet transforma de maneira drástica a vida de qualquer pessoa que é vítima de vingança pornô. O crime, cada vez mais comum, acontece quando alguém divulga fotos ou vídeos íntimos sem o consentimento da vítima em sites da internet.

(Foto: AFP/Reprodução)

(Foto: AFP/Reprodução)
A filmagem em que Amanda Moura*, 17, estudante, faz sexo oral em um namorado foi publicado no Whatsapp em março de 2014.  Durante uma festa, ela fez uso de bebida alcoólica e maconha, e, pediu para que uma amiga filmasse ela praticando sexo oral no namorado da época, 20 anos mais velho.
Na mídia em questão, filmado por sua amiga Eliana*, Amanda aparece praticando o sexo oral e do parceiro nada se via além do órgão sexual e sua calça abaixada. “No dia seguinte, pedi que ela apagasse, só gravei como forma de diversão, no entanto, ela não apagou e acabamos brigando. Por vingança, ela o enviou para um desafeto meu, que invejava o meu namoro, pois tinha interesse nele”, contou Amanda.
Após receber o vídeo, a pessoa com quem Amanda não se dava bem o enviou para diversos grupos de Whatsapp, espalhando-o muito rápido. Após a divulgação, Amanda perdeu a vontade de comer, chorava muito e chegou a ingerir meio litro de água sanitária, para tentar cometer suicídio. “O líquido me deixou mal, não tive nada, apenas uma dor de cabeça, garganta ardendo e por conta disso passei o dia deitada”, revelou.

(Foto: AFP/Reprodução)

(Foto: AFP/Reprodução)
Para tentar se afastar das provocações e brincadeiras, foi necessário mudar por um tempo para a casa de uma tia, em outro bairro, mudar de escola e de turno, estudando agora numa escola técnica, onde, segundo ela, as pessoas são mais maduras e não a julgam tanto. “Como lá tem mulheres que já são mães e algumas até mais velhas, a mente é outra. Muitas nem sabem do vídeo”.
Segundo a psicanalista Andrea Holnagel, é normal que o psicológico fique abalado, pois essa é uma situação de extrema exposição. “Essa exibição da intimidade é uma coisa de ordem psíquica, não só de ordem moral. É muito complicado, por exemplo, a vítima falar sobre o caso”, relatou.
Confiança abalada
Seis meses após a divulgação do vídeo, a jovem começou a namorar outro rapaz, também mais velho, que conheceu em seu bairro. Ele tinha conhecimento do vídeo e, apesar da repercussão, não a julgou. Hoje, cinco meses após o término do namoro, a jovem diz ter medo de se relacionar com outros homens. “Dificilmente encontrarei outro homem que entenda a minha situação, pois muitos homens viram meu vídeo, eu fui exposta, quem teria coragem de ficar com uma mulher que os amigos têm um vídeo íntimo guardado no celular?”, desabafa.
A primeira ação da jovem foi contar a sua mãe, que por incentivo buscou a Delegacia Especializada de Repressão a Crimes contra a Criança e ao Adolescente (Derca), levou o vídeo em um cartão de memória, dando entrada em um Boletim de Ocorrência e acusando Eliana de compartilhar e armazenar o vídeo.
Como procedimento padrão, o Derca encaminhou Amanda para o Instituto Médico Legal, Nina Rodrigues, onde foi submetida a exames de corpo de delito, ginecológicos, de sangue e para detectar DST’s, doenças sexualmente transmissíveis. Ela está sendo acompanhada pelos agentes de saúde até o momento.
Outro método do Derca é buscar, por meio de um oficial de justiça, o acusado, para que possa comparecer nas audiências. São feitas três tentativas, caso o oficial de justiça designado não encontre o acusado, o caso será arquivado. Para dar segmento ao processo, segundo Carolina Orrico, advogada e coordenadora do curso de Direito da Faculdade Social da Bahia, a vítima deve procurar um advogado ou ir direito na Defensoria Pública, para dar entrada num processo civil e criminal, “é muito importante isso para evitar a impunidade”.
Lidar com o crime
O crime de divulgação de imagens ou filmagens de sexo explícito, onde há exposição da vítima, é algo cada vez mais comum. Em 2013, a ONG Safernet, que presta apoio a pessoas vítimas de crimes cometidos na rede, registrou 39 casos de atendimento às vítimas que tiveram vídeos e fotos divulgados na rede no Brasil. Nos primeiros meses de 2014, a ONG registrou 108 casos.

(Foto: AFP/Reprodução)

(Foto: AFP/Reprodução)
Para as vítimas do porn revenge, o delegado indica procurar o quanto antes uma delegacia, faz-se um boletim de ocorrência e apresenta o maior número possível de provas.  Se a vítima for menor de idade, é necessário procurar o Derca, que é a delegacia especializada em crimes contra crianças e adolescentes, localizada no bairro de Matatu de Brotas.
Para maiores de idade, deve buscar qualquer delegacia, e assim, o caso é encaminhado para o Grupo Especializado de Repreensão aos Crimes por Meios Eletrônicos (GME).
A papelada ocupa praticamente toda a área da pequena sala, de pouco mais de 25 metros quadrados. A escrivã, o chefe de investigações e o delegado dividem o minúsculo espaço livre de documentos. O cenário chama particularmente a atenção por se tratar de uma delegacia especializada em ‘crimes digitais’. O GME funciona na sede da Polinter, no bairro dos Barris.
Depois do conteúdo divulgado nas redes, é necessário conseguir um “print” (captura da imagem que está na tela) da página onde aparece a referência do conteúdo exposto, junto com um “link” da hospedagem da página.
“Após de instaurada a investigação, em termos de punição, o acusado irá responder por injúria, calúnia ou difamação, pegando uma pena que vai de até dois anos. A não ser que a vítima queira procurar a vara cível, onde ela pode buscar algum tipo de ressarcimento material”, diz o delegado Charles Leão.
Charles comenta que o “Marco Civil da Internet” facilitou as investigações, pois obriga aos sites e aplicativos de outros países a fornecer informações para a polícia.

(Foto: AFP/Reprodução)

O que é o Marco Civil da Internet?
Para o Marco Civil da Internet, qualquer tipo de empresa voltado ao ramo das redes de internet, mesmo sendo ela estrangeira, tem a obrigação de respeitar e seguir a legislação imposta pelo país para que possa continuar operando em território Nacional. Caso sejam desrespeitadas as leis, sanções deverão ser tomadas, afim de advertir a empresa, com uma multa de até 10% de seu faturamento, pode ser suspensa suas atividades, podendo ser proibida de manter atividades no país.
Já no caso da empresa que fornece a conexão para o usuário, essa já não deve ser responsabilizada pelo compartilhamento do conteúdo de seus clientes. Já a empresa que fornece o serviço de banco de dados (blogs, redes sociais, vídeos, etc), corre o risco de ser punida pela justiça brasileira, caso o conteúdo não seja retirado das redes após aviso judicial.
A justiça brasileira pode estipular um prazo para que o conteúdo advertido saia de circulação, mas é cabível à um juiz poder antecipar a retirada caso houver “prova equívoca”, sempre levando em consideração o tipo de material que está circulando/compartilhando ou causando algum mal à pessoa prejudicada.
Diferença entre os crimes cibernéticos
A Legislação é direta quando a vítima é menor de idade:
Quando a vítima for menor de idade, os responsáveis devem ir direto ao Delegacia Especializada de Repressão a Crimes contra a Criança e ao Adolescente (Derca), delegacia especializada nesse tipo de crime, que fica na rua das Pitangueiras, nº 26 em Matatu de Brotas.
De acordo com o Artigo 241, da Lei º 8.069 de 13 de Julho 1990, fotografar ou publicar cena de sexo explícito ou pornografia ou adolescente, apresentar, reproduzir, vender, fornecer, divulgas ou publicar em qualquer meio de comunicação na internet (a exemplo de aplicativos WhatsappInstagram ou páginas da internet como Facebook e Youtube), por rede de computadores, fotografias ou imagens com pornografia ou cenas de sexo explícito envolvendo criança ou adolescente.
As penas variam a depender do tipo de participação da pessoa na divulgação das imagens. A pena é de reclusão de três a oito anos.
Para maiores de idade existe a Lei Carolina Dieckmann:
Essa lei, que entrou em vigor no ano de 2012 prevê que invadir aparelhos eletrônicos para roubar informações e dados é crime. Seja ele por qualquer meio eletrônico (à exemplo de notebooks, tablets, desktops, smartphones e afins) Para esse tipo de crime, a pena é de detenção de três meses a um ano, seguido de multa estipulada pelo juiz.
A Lei inclui também como crime a falsificação de documentos particulares ou cartões pessoais, que prevê reclusão de um a cinco anos e multa, também estabelecido pelo juiz.
*Nomes fictícios para preservar identidade das fontes.
Bônus – Conheça outra história
Quem faz com uma faz com outra
Relato de uma vítima de vingança pornô
Nada vai apagar a lembrança. Amigos, familiares, vizinhos e até desconhecidos, todos a estavam julgando pelo ocorrido. O caso aconteceu em setembro de 2014, quando Bruna Sales* teve uma foto em que aparece nua, divulgada por um ex-namorado, no Facebook.
Envergonhada, Bruna gravou um vídeo e publicou no Facebook, contando o ocorrido e pedindo compreensão de todos os seus conhecidos. Ela contou o quanto ficou envergonhada com a exposição desnecessária da foto e que estava fragilizada com a situação, no vídeo ela pedia a compreensão de quem teve acesso ao conteúdo. O vídeo teve mais de 45 mil visualizações em um único dia.

Imagem/Divulgação

Imagem/Divulgação
“A gente se conheceu no Facebook, marcamos de nos encontrar e depois a gente já estava namorando. Ele tinha uma ex-namorada que, após a separação, passou a morar atrás da casa dele. O homem batia na mulher de manhã, de tarde e de noite. Isso tudo para me provar que não voltaria com ela. Já comigo era aquele amor. E eu pensava o tempo todo: se ele batia nela, imagine o que não iria fazer comigo.”
“A gente já havia terminado. Ele apareceu com uma mulher, já namorando, foi aquela bomba. Só sei que eu arranjei um namorado também. Esse homem falou que ia aprontar comigo, e que eu não ia mais sair de casa.”
“Tiraram uma foto minha com o novo namorado e mandaram para ele num grupo de Whatsapp, saindo como se ele tivesse sido traído. Um dia, à tarde, me bateu um desespero porque ele falou ‘já está feito o que eu ia fazer. Avise logo a sua mãe porque quando a bomba estourar eu não quero nem saber.”
“Então, ele mandou a foto para mim e para minha amiga. Isso foi 05:05h e 05:07h minha foto já estava no interior da Bahia.  Eu fiquei dois meses sem sair de casa, tranquei minha faculdade um semestre, curso enfermagem. Eu não saia para canto nenhum. Enfim, eu tive que trocar de número, esse homem transformou minha vida em um inferno.”
“A foto até hoje roda. Eu ficava antes com um jogador e minha foto foi parar em um site de pornografia em Portugal. A foto também apareceu em inúmeros sites pornôs. E nem era uma foto tão assim, só sou eu prendendo o cabelo, meio que mostra o peito e nem dá para ver embaixo, pois eu estou com as pernas cruzadas.”
“Sempre tem aquele na rua que solta uma piadinha. Eu sei que essa foto, se eu saísse nua, eu mesma tirando, posando, não ficaria tão famosa. Outras meninas se quebram para tirar uma foto, que nem faz sucesso por dois dias e até hoje em dia minha foto ainda aparece.”
“Aí chegou a virada do ano, eu de boa, a foto rodando, mas eu já estava mais calma, quer dizer, a cada 10 minutos eu olhava no Facebook e tinha cinco mensagens relacionado ao assunto. Meus primos não estavam nem indo para o colégio pra você ter ideia, até ir ao colégio era ruim pra eles. Na minha rua então, eu não saía para nada. Para eu sair de casa era o seguinte: minha mãe abria a garagem, eu entrava no carro, só saia quando chegava no meu destino. Pra ninguém ver minha cor.”
“Porque, na mente dele, ele postou minha foto e eu tinha que ficar em casa morrendo, ou querer me matar. De início até fiquei chateada, mas, depois, eu fiquei bem mais sossegada, porque depois disso eu arrumei outros namorados. Pelo menos comigo não tem problema nenhum.”
“Tem gente que ainda me para na rua e faz perguntas. E tipo, em qualquer bairro, bairro que eu nunca vi em minha vida, eu sou abordada. Foi muita repercussão que teve essa foto. Há uns três meses, a amiga dele postou outra foto, essa sentada na cama dele. E ele ainda postou embaixo: “Bruna Sales: mulher de traficante, usuária de pó, maconheira, só dá a ladrão e quem não conhece a famosa prostituta da Valéria?”
“Ele ainda mandou uma mensagem pra minha mãe de madrugada “eu fiz e faço de novo, e se vocês procurarem delegacia, já sabem né? Bruna bem me conhece, sabe como eu trabalho”.
“Apesar que amenizou agora. Mas há 15 dias eu estava conversando com uma amiga e ela disse que ele mandou dizer que os próximos capítulos da novela vêm aí, que não acabou. Ele queria que eu estivesse em casa chorando e morrendo. Eu fiquei mal de início, mas, agora estou bem. Ele nem mora mais em Salvador por conta da sacanagem que ele fez comigo, nem sei se ainda vai ressurgir das cinzas.”
*Nomes fictícios para preservar identidade das fontes.
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