Análise “Balanço Geral Bahia”

Trabalho realizado para a matéria “Jornalismo Especializado”, ministrado pela professora e coordenadora Bárbara Souza (Faculdade Social da Bahia).

O Objetivo do trabalho era analisar durante 1 semana corrida o programa “Se liga Bocão/Balanço Geral” e fazer uma análise com o conteúdo discutido em sala de aula.


INTRODUÇÃO

 O CONCEITO DO JORNALISMO POPULAR

É um segmento de jornais comerciais bastante recentes, que visam uma aproximação com as amplas camadas da população urbana de menor poder econômico, consumidores com nível de escolaridade relativamente baixo e pouco hábito de leitura.

Falar ou escrever para as classes C e D não significa distorcer fatos, apelar para sexualismo, violência e mau gosto. Segundo Márcia Franz Amaral, autora de “Jornalismo Popular, “pode-se elaborar um jornal que informe, divulgue e critique sem usar esses métodos distantes do objetivo de prestação de serviço”.

O jornalismo popular é algo muito além do sensacionalismo, estigma que carrega erroneamente, pois sua função é de prestação de serviço à sociedade, mas com enfoque maior nas classes mais baixas (e mais populosas).

Para atingir esse público, os Jornais Populares do Brasil, oferecem preço baixo, usam textos curtos, fartura de imagens, linguagem simples e didatismo, tendendo a explorar bastante o tema de prestação de serviços para comunidades de baixa renda [Oliveira, 2009].

Não só no impresso, mas também no gênero televisivo, o jornalismo popular, em serviço ao cidadão, se destaca de forma exemplar, trazendo informação ao cidadão, priorizando a editoria de polícia e segurança pública:

Essa programação que surge nos anos 1990, apesar de trazer características inovadoras, não chega a compor um novo gênero televisivo. Não se trata, pois, de um gênero distinto em relação àqueles preexistentes. (….) O fenômeno do crescimento da “programação popular” representa a consolidação de uma série de aspectos (gente comum, fatos reais, exploração de fatos íntimos) que se espalham pelos vários gêneros televisivos. Não existiriam assim, aqueles programas que são exclusivamente populares e aqueles que não são, mas programas com muitas características populares e outros com poucas ou quase nenhuma (ÁVILA, 2006, p. 49)

 

TRAJETÓRIA DE PROGRAMAS POPULARES NA TV BRASILEIRA

Estreou em 1991, nos fins de tarde, baseado no programa homônimo exibido pela TV Tupi, o Aqui e Agora, em 1979. O jornal de 1991 tinha como slogan “um jornal vibrante, uma arma do povo, que mostra na TV a vida como ela é!”. Foi pioneiro no Brasil no uso do Gerador de Caracteres ao exibir manchetes bastantes escandalosas sobrepostas às imagens, bem como do uso da câmera na mão em matérias jornalísticas, muitas das quais envolvendo sequestros, tiroteios e perseguições policiais mostradas ao vivo. Seu grande foco era em reportagens policiais, especialmente sobre assassinatos e crimes escandalosos.

Em 1991 a SBT lançou o programa Jornalístico Aqui Agora, Silvio Santos queria se diferenciar do jornalismo sisudo e bem-comportado da Rede Globo.

Como o programa jornalístico dava ênfase a reportagens sobre acidentes graves e crimes de toda sorte, Gil Gomes teve um papel destacado. Foi no Aqui Agora que ele aprimorou o visual, a voz e o gestual que caíram no gosto do grande público e serviram de inspiração para os imitadores dos programas de humor.

O Aqui Agora fez tanto sucesso que passou a ter duas edições diárias. Mas, com o aparecimento de concorrentes, foi perdendo audiência e saiu do ar em 1997. Alguns anos após, Gomes foi aproveitado no programa humorístico Escolinha do Barulho da TV Record.

 

CARACTERÍSTICAS DO JORNALISMO POPULAR NA TV

Um bom programa voltado ao jornalismo popular deve ter:

– Um âncora que consegue entreter o telespectador, transmitindo sensações em suas falas (como suspense, atenção, surpresa e indignação);

– Ocupar horário de muita audiência;

– Trazer a sensação de “proximidade” com o telespectador;

– Imagens fortes e marcantes;

– Tratar de assuntos que conseguem envolver comunidades;

– Dar voz ao povo.

 

DIFERENÇAS ENTRE UM TELEJORNAL E UM JORNAL POPULAR

Enquanto o telejornal é considerado algo “conservador”, voltado ao público geral (inclui todas as classes), e tenta aparentar isenção de opinião, buscando trazer a sensação de “parcialidade”, o telejornal “popular” busca, além de trazer o hard news, entreter o telespectador e encher a audiência de conceitos e opiniões de seus âncoras.

 

JORNALISMO POPULAR: CONTRIBUIÇÕES PARA TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS

Apesar do estigma que o jornalismo popular carrega, de ser considerado jornalismo de sensacionalismo, ele tem sim, uma parcela grande de contribuição à sociedade. Eles conseguem “mediar” o que acontece na esfera, tanto pública como popular. Consegue levar ao simples cidadão, de classe baixa, deixado muitas vezes de lado, pela própria sociedade, informação e notícia.

Talvez o que seja questionável seja a “forma” como a informação e a notícia é apresentada. A linguagem coloquial, a forma com que as imagens são exibidas, as duras expressões corporais do apresentador, a forma com que ele interage com toda a equipe, dentre outras formas de apresentação, trazem ao público comum a vontade de permanecer no canal até o final do programa. O suspense criado pelo apresentador “prende” a audiência de forma assustadora.

Peruzzo (2006) defende que os meios de comunicação social populares e alternativos realizam o direito à comunicação, o que compreende o acesso à informação propriamente dito, bem como a possibilidade de participar na sua produção e difusão, a partir da própria experiência.

Esse tipo de programa tem como papel social, proporcionar um tipo de comunicação comunitária, unindo a população em relação aos problemas sociais vividos diariamente. A inclusão desses grupos em programas de grande audiência permite “dar voz ao povo”, trazendo a sensação de proximidade da emissora com seus telespectadores.

Denúncia, crimes, impunidade e assuntos ligados à política fazem parte desses programas. Mas a sensação que é passada para o público em geral é que esse tipo de programa tem um papel importante, não só para a sociedade, mas à democracia, pois ele tem a capacidade de incluir os cidadãos em assuntos que trazem tocam suas vidas, mesmo o tema sendo difícil, complexo e distante para o cidadão comum, é possível sentir-se incluso nos debates a respeito dos desafios sociopolíticos e econômicos em nível comunitário ou junto à sociedade.

Esse tipo de telejornalismo inclui com sucesso o cidadão em temas de todo o tipo, mesmo que não faça parte do seu cotidiano, permitindo que várias questões sejam levantadas em seus círculos sociais.

A contribuição dos meios de comunicação televisivos populares como recurso para construção de argumentos, atualização de informações sobre os problemas sociais e como eles afetam distintos grupos, elaboração e valorização dos discursos de luta parecem dialogar de modo bastante concreto com o contexto de institucionalização da ação coletiva no Brasil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ANÁLISE DO PROGRAMA ‘BALANÇO GERAL’

DE 25 A 29 DE MAIO DE 2015

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PÚBICO ALVO DO PROGRAMA:

O programa Balanço Geral tem como público as classes C, D e E.

QUANDO A VIDA VIRA O ESPETÁCULO:

Terça feira, 26 de maio de 2015, na tela da TV Record, em Salvador, o apresentador José Eduardo aparece debruçado numa bancada, cabeça baixa, observando um celular. Quando a câmera fecha nele ecoa uma saudação em voz alta, seguida de informação sobre data e hora. Assim começa o programa Balanço Geral Bahia, exibido no horário de meio dia as duas da tarde, de segunda a sábado, na TV Record, canal 5.

O programa foi criado com a finalidade de fazer jornalismo popular para o público das classes C, D, E.  A audiência se consolidou principalmente através da população de bairros da periferia. Gente que, na maioria das vezes, quer ver na TV o que presenciou ou soube que aconteceu perto de casa, o cotidiano da cidade grande, quase sempre violento. Além de outras características que atrai esse público como: a busca por soluções dos problemas financeiros, da dificuldade de acesso às unidades médicas mais complexas e até questões de ordem particular, difíceis de resolver.

Essas pessoas são telespectadores e “personagens” do Balanço Geral. São elas que estão nas reportagens e que participam de uma breve abordagem ao vivo, no estúdio da Rede Record, com perguntas e respostas rápidas. É um dos quadros do programa, onde o apresentador expõe o problema e apela para o público, do outro lado da tela, para que doe dinheiro, objetos e outros bens, enchendo de esperança o entrevistado (a). Na edição do dia 26 de maio a história contada foi de uma mulher que veio do estado de Alagoas, com dois filhos pequenos, atraída por uma falsa promessa de emprego. Sem dinheiro e sem ter onde ficar precisou apelar para a mídia. Na TV ela contou que precisava voltar para casa, o apresentador fez as contas do gasto com passagens, deixando um telefone em caracteres, para quem quisesse ajudar.

 

ESTRUTURA EDITORIAL:

Esse apelo popular passa por uma seleção das pessoas que procuram a produção do programa diariamente. A prioridade é para os casos mais dramáticos, que podem sensibilizar o telespectador. Isso faz parte da estrutura editorial do programa, é uma das formas de aproximar o apresentador do povo. Há uma marca forte também nessa linha editorial que é a opinião do apresentador em praticamente todas as reportagens e entradas ao vivo- essa opinião muitas vezes é feita sem elementos concretos, sem dados, estatísticas, muitas vezes de forma superficial e tendenciosa-. A exibição das imagens num telão é outra estratégia dessa estrutura editorial. A tela mostra as grandes avenidas da cidade, o trânsito –não em tempo real-  assim como exibe as imagens mais fortes das reportagens de polícia e violência.

O programa é feito com reportagens gravadas em Salvador e região metropolitana, em casos especiais as matérias são feitas também em cidades do interior. Ao longo do programa são exibidos quadros com vinhetas criadas com cores fortes, letras e trilha sonora chamativas. Percebe-se nas reportagens que alguns repórteres, sobretudo os que cobrem assuntos de polícia, são dramáticos, exagerados, frios e as vezes sensacionalistas. Alguns imprimem discurso vazio nas reportagens.

Na edição do dia 26 de maio, um deles mostra a prisão de dois homens acusados de assalto no bairro de Itapuã.  Durante a entrevista ele tanta arrancar dos presos novas informações, mas algumas das perguntas são direcionadas pelos agentes de polícia que estão nos bastidores, e o tempo todo tem a fala captada pelo microfone da reportagem. Nesse mesmo assunto a edição deixou passar uma consideração do delegado sem nenhum fundamento, uma fala bem contundente em que ele diz: “O bandido fez papel de homem ao assumir o roubo”.

Nessa mesma edição chama muito atenção a postura de um outro repórter, que curiosamente faz matérias jornalística e apresenta peças comerciais no mesmo programa. Durante a cobertura sobre a prisão de quatro homens em Abrantes, no litoral norte, o repórter interroga os acusados, faz piada com a história contada na delegacia, usa gestos quando discorda do que os presos falam. O tempo todo ele se dirige a um policial- que tem a imagem preservada- para questionar as respostas dos acusados. Esse repórter virou um “personagem” no Balanço Geral Bahia, cada vez que um entrevistado-invariavelmente bandido- responde algo que ele não acredita, faz bico, levanta o braço com o punho serrado e declama uma frase de agradecimento a Deus: “Obrigado, obrigado, obrigado meu Deus por esse depoimento”.  Essa teatralização da notícia é exibida numa emissora de propriedade da igreja Universal do Reino de Deus, que tem como membros evangélicos que tem como doutrina os ensinamentos da Bíblia, entre eles não usar o nome de Deus em vão.

Na edição do dia 26, por exemplo, podemos notar poucas reportagens feitas com imparcialidade, clareza e contextualização, que são características pouco presentes na linha editorial do programa.

O que fica muito claro na decisão editorial do programa é a divulgação apenas de fatos do dia a dia. Assuntos frios ou produzidos não são utilizados para notícias.

 

 LINGUAGEM:

A linguagem do Balanço Geral segue uma linha popular, muitas vezes exagerando na simplicidade da comunicação verbal e gestual. O apresentador fala gírias, reproduz o linguajar dos bandidos e acusados que aparecem na TV. Ele também adotou um jeito teatral de apresentar os assuntos: se mexe, aponta para câmera como se apontasse para o telespectador, grita, reclama da dificuldade de contato, através do ponto eletrônico, com o diretor do programa, e fala até da falta do ar condicionado no estúdio. Essas queixas se tornam vazias por não ter nenhuma relação com a notícia e também por parecer algo montado, produzido e não espontâneo.

Em um dos quadros cridos pela produção do programa também se verifica exageros na forma coloquial de se comunicar com o telespectador. Uma reportagem mostrou o drama de moradores de um bairro popular que convivem, de forma conturbada, com um homem que acumula madeira e outras matérias em casa sem cuidados que podem evitar o surgimento de animais peçonhentos e roedores. Toda a abordagem é feita com o movimento de uma câmera; entrando nas casas, subindo ladeira, ouvindo moradores. Gente que se queixa, faz acusações contra o vizinho. Em nenhum momento a reportagem contextualiza, exemplifica o risco vivido por aquelas pessoas. Tudo caminha para um bate-boca apenas e sem apontar soluções para a comunidade.

Outro assunto tratado de forma equivocada foi a reportagem sobre assaltos perto de delegacias. O apresentador chamou o assunto dizendo que as pessoas estão com medo de morar perto de delegacias e ressaltou que os bandidos estão aterrorizando. A linguagem usada foi confusa e deu a impressão de que ele se referia a bandidos presos nas unidades de polícia. A reportagem também não foi esclarecedora, nesse caso, não exatamente por causa da linguagem, mas por falta de elementos que justificassem o assunto, como por exemplo, dados de assaltos em áreas próximas as delegacias.

 

CRITÉRIOS DE NOTICIABILIDADE:

 

De acordo com a autora Márcia Franz para um fato virar notícia é necessário que se encaixe em um dos quesitos de: utilidade, proximidade ou entretenimento.

O Balanço Geral possui como principal característica a proximidade com os telespectadores, como por exemplo, nas reportagens de denúncia: A falta de atendimento no SUS e do vizinho que incomodava por causa da sujeira.

Alguns telespectadores ao assistirem perceberão que existe uma coincidência do fato com uma história já vivida ou de algum conhecido.

Essas notícias são tratadas com grande repercussão, com a repetição de imagens e apelos, feitos tanto pela população quanto pelo apresentador.

Os critérios de notícia usados no dia-a-dia do programa seguem exatamente o padrão desses produtos chamados de jornalismo popular.  Invariavelmente a informação tem uma carga muito forte de sensacionalismo que está ligado ao exagero, a teatralização dos repórteres e do apresentador, repetição, exploração do povo.  Usar assuntos chocantes, casos de polícia e um cotidiano caótico também passou a ser critério para noticiar no Balanço Geral.  O que atrai a atenção do público é a notícia dada de forma simples, o problema é que muitas vezes os assuntos passam a ser tratados de forma deturpada e não exatamente simples. A violência vira coisa banal, a sexualidade é explorada, também naturalmente, e a pessoa humilde se expõe ao ridículo. Com base no estudo do texto de Márcia Franz Amaral, percebe-se também uma invasão de privacidade na vida de pessoas pobres, em busca de audiência. O critério maior para exibir um programa com duas horas de duração em TV aberta valoriza o espetáculo e muito poucas possibilidades de produzir conhecimento.

 

PAUTAS:

A maioria das pautas definidas pela produção é de polícia e violência. As edições trazem também denúncias do cotidiano da cidade e assuntos factuais. O destaque nesse caso é para a valorização dos assuntos reais fortes e quase nada produzido.

 

EDIÇÃO E SENSACIONALISMO:

O programa utiliza BG de suspense ao anunciar uma reportagem, aumentando e abaixando de acordo com a opinião do apresentador. Também chama a atenção do público com o som de uma sirene.

As imagens de algumas reportagens são repetidas diversas vezes, enquanto Zé Eduardo opina sobre o assunto. O programa não usa muitos recursos de edição diferenciados. Explora cem por cento o enfoque dado pelo apresentador e pelos repórteres, muitas vezes identificamos sensacionalismo nas edições. Algumas reportagens têm trilha sonora, mas esse recurso é utilizado mais no estúdio, para comentários ou chamadas das reportagens e atribuições do apresentador.

Também não se nota arte gráfica, nem outros recursos extras no programa. O perfil das reportagens mais populares é sempre o mesmo, plano sequência feito por um repórter, um repórter cinematográfico com uma câmera abordando o povo. Nas notícias de polícia há dois recursos muito usados: a repetição de fala e a câmera que se aproxima inúmeras vezes do acusado, como um movimento de zoom. O programa também divulga fatos relevantes apenas com narração das imagens, quando não há reportagem assinada. Outra possibilidade adotada é o uso de fotografias para falar de notícias importantes, geralmente em lugares distantes, em que a reportagem não esteve presente.

 

LINGUAGEM:

O apresentador Zé Eduardo utiliza uma linguagem popular e simples, de forma que facilita o entendimento dos telespectadores. Porém, também usa xingamentos ao se referir aos suspeitos, como por exemplo: ‘Vagabundo”. Além de gírias como em uma das apresentações que utilizou o termo “meteu no cara” .

Os repórteres Marcelo Castro e Adelson Carvalho durante as entrevistas aos suspeitos agem com brincadeiras, se referindo aos mesmos com termos populares e gírias.

Adelson usa bordões como “Obrigado meu Deus” e “Abra o olho jovem”.

Marcelo também cita em uma das reportagens a expressão “De boa” .

 

APRESENTADOR X AUDIÊNCIA:

Gritos, gestos exagerados, gírias, testa franzida, até chacota em alguns momentos. O apresentador do Balanço Geral faz a linha cidadão indignado para atrair a audiência. Usa uma linguagem simples e muitas vezes reproduz o que o povo fala nas ruas e também imita os bandidos. São estratégias de aproximação com o telespectador que liga a TV para ver os fatos do cotidiano.

José Eduardo é repetitivo, muitas vezes deixa dúvidas sobre suas considerações, e principalmente sobre seu posicionamento, já que o programa é totalmente opinativo. Em alguns assuntos políticos ele diminui o tom de indignação, em outros fatos, também ligados ao poder público, se mostra mais contundente e exige explicações.

A dinâmica de apresentação é sempre a mesma: falar forte, circular pelo estúdio apontando para a câmera e para o telão.  O exagero é o que marca esse tipo de apresentação, comparado com um telejornal mais tradicional, sem tanto apelo popular. A diferença está na credibilidade, no entendimento sobre quem é esse jornalista. Seria um defensor do cidadão, questionador dos fatos inaceitáveis, alguém que pode gerar no telespectador o sentimento de indignação e de luta por uma vida menos exclusiva? Ou simplesmente um personagem que vira celebridade quando imposta a voz em busca de números no IBOPE?

 

 

 

HISTÓRICO DO PROGRAMA:

Balanço Geral é um formato padrão de programas jornalísticos locais, criado na Bahia e difundido pelo país, após os anos 2000, com forte apelo popular. Dependendo da localidade, pode ser exibido pela manhã, no horário do almoço ou também aos sábados, pelas emissoras filiais e afiliadas à Rede Record. Possui versões nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, sendo elas locais, regionais ou estaduais.

O programa Balanço Geral surgiu em Salvador, inicialmente na Rádio Sociedade da Bahia em 1979, logo após a emissora ser vendida pelo Diários Associados, do empresário de comunicação Assis Chateubriand, para o Sistema Nordeste de Comunicação, do empresário Pedro Irujo, sendo apresentado inicialmente pelo radialista e repórter Guilherme Santos. Após o sucesso da versão radiofônica em toda a Bahia, criou-se a sua versão para a televisão em 1985, por Alfredo Raimundo Filho (considerado o maior administrador de emissoras de rádio do país), Carlos Borges e Pedro Irujo. Neste primeiro momento, tornou-se âncora do programa o radialista e ex-prefeito de Salvador, Fernando José (in memorian), e como repórter de rua, além de produtor, Guilherme Santos, que devido ao grande sucesso na atração tornou-se o terceiro vereador mais votado de Salvador em 1988.

 

Seu atual formato varia em cada emissora:

 

Jornalismo-entretenimento: muito usado no Balanço Geral de São Paulo e de Minas Gerais.

Jornalismo-comunitário: utilizado no Balanço Geral de Goiás, do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

Telejornal policial: usado em maioria das praças, com destaque para as versões do Rio de Janeiro (exceto Campos), Espírito Santo e nos estados das regiões Norte e Nordeste, e região Centro-Oeste (exceto Goiás).

Jornalismo social e político: usado no Balanço Geral da Bahia, sendo que a edição vespertina é adotada o jornalismo policial devido o mesmo ser evolução do Se Liga Bocão, antigo telejornal policial da Record Bahia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

AMARAL, Márcia Franz. Jornalismo Popular. São Paulo: Contexto, 2006.

LANA, Lígia Campos de Cerqueira. “Denúncia e dramatização do cotidiano em Brasil. Urgente”. In: FRANÇA, Vera. Narrativas televisivas. Belo Horizonte: Autêntica, 2006, p. 87-106)

PERUZZO, C.M.K. Aproximaciones entre la comunicación popular y comunitaria y la prensa alternativa en Brasil en la era del ciberespacio. In: XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2008, Natal/RN. Versión revisada y ampliada. [traducción al español de Óscar Curros M.]

WOLF, Mauro. Teorias da Comunicação. Lisboa: Presença, 1987.

Oliveira, M. R. A. R. (2009) “Jornal Popular X Jornal Tradicional: Análise léxicogramatical da notícia a partir da Linguística de Corpus Um estudo de casos dos jornais cariocas “O Globo” e “O Dia””. Veredas – Revista de Estudos Linguísticos, v.13, n.2, p. 07-19.

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